Nova Provincial Scalabriniana reforça compromisso com migrantes e refugiados

 


POR ROSINHA MARTINS
DE SÃO PAULO - SP

Em entrevista exclusiva à Imprensa Scalabriniana, Irmã Maria Lélis da Silva, recém-eleita Superiora da nova Província Maria Mãe dos Migrantes que abrange América do Sul e África, destaca os desafios da imigração, a importância do trabalho conjunto e o papel comunicação. Ele também, agradece às Irmãs que vivem e testemunham a sua consagração no serviço evangélico e missionário aos migrantes e àquelas que compõem o novo governo provincial. “Quero deixar a minha saudação, abraço e agradecimento às minhas queridas Irmãs que estão nos países Equador, Colômbia, Paraguai, Argentina, Bolívia, Moçambique, África do Sul, Angola e Brasil, países que constituem a extensão da nova Província Maria, Mãe dos Migrantes. Agradeço as Irmãs Conselheiras Provinciais que deram seu sim generoso ao chamado de Deus para assumir a missão como conselheiras nesse momento histórico da nossa Congregação”.

Leia entrevista na íntegra.

Irmã Lélis, como responder às demandas da imigração e dos refugiados no contexto atual?

A migração é sempre uma riqueza. Há uma tendência de pensar que a pessoa migrante é um peso para a sociedade de acolhida, quando na verdade, é uma fortaleza e enriquece os países, cidades e comunidades nas quais se radicam. A migração é profecia e cabe a nós escutar os migrantes, ver, sentir e viver com eles a realidade de cada um e cada uma para aprender deles mesmos quais são as respostas que nós devemos dar. São eles que nos dizem o que devemos fazer. Nós apenas temos que estar atentas àquilo que eles nos solicitam e a partir de daí buscar soluções, atuar com a participação deles, valorizando suas capacidades, habilidades, cultura e conhecimentos. A migração evidencia problemas sociais, econômicos, a má distribuição de renda e outras realidades que às vezes são mais sutis e difíceis de detectar, por isso temos que ser muito prudentes para não julgar nem excluir e ao invés disso, acolher às pessoas que chegam em nossas cidades, para integrá-las e valorizá-las. Estas pessoas trazem muitas riquezas que aportarão ao crescimento de nossa sociedade.

Na minha alocução de encerramento do Capítulo Provincial no qual fui eleita, no dia 14 de dezembro passado, pedia exatamente isso: as luzes do Espírito Santo para amar e servir mais as minhas Irmãs da nova Província para que, em comunhão, possamos servir melhor aos migrantes. Para isso, todas as áreas precisam trabalhar em comunhão. Educação, saúde, sócio pastoral, formação e comunicação são partes de uma mesma engrenagem. A comunicação é fundamental no processo de articulação das áreas e através dela, pode-se fortalecer a atuação da pastoral vocacional, da missão direta com as pessoas migrantes e em situação de refúgio ou no trabalho indireto a favor das pessoas em mobilidade.

Como atuar de maneira eficaz para responder às demandas dos migrantes e refugiados?

Nós precisamos além do que é fundamental, digo, do trabalho articulado entre os vários países que compõem esta Província, capacitar-nos para fazer incidência política e social segundo as necessidades das pessoas migrantes, que serão conhecidas por nós à medida que nos dispomos a escutá-los, caminhar e viver com eles e com elas. A partir daí é que nós temos que, pedindo as luzes do Espírito Santo e segundo a vontade de Deus, defender os interesses dos nossos irmãos e irmãs em situação de migração.  

Essa incidência deve ser feita em todos os momentos e níveis, como por exemplo, ampliando o nosso espaço de participação em propostas de políticas públicas que respeitem os direitos dos migrantes, na sistematização e publicação de informações e atuação nos meios de comunicação. Assim se pode fazer incidência e comunicar ao mundo a verdadeira causa das migrações, além de minimizar os sofrimentos das pessoas em mobilidade.

Como missionárias da esperança, temos que evidenciar o lado positivo da migração nos meios de comunicação. Não basta criticar a publicidade negativa que promove a xenofobia e as leis e os países que se fecham para o migrante e refugiado, é necessário que ajudemos o mundo a enxergar o que há de benéfico neste fenômeno. Quanta riqueza nos trazem os migrantes que chegam aos nossos países! Quantas habilidades, novidades e conhecimentos trazem! Esse é um desafio que temos que assumir junto com nossas Irmãs e com as pessoas de boa vontade que querem colaborar com a construção de um mundo melhor, um mundo que inclui, um mundo no qual as diferenças não sejam vistas como ameaças, mas como riquezas, como possibilidades de construir algo novo.

A senhora já acenou para o imenso território que abrange a nova Província. Como articular o trabalho missionário em uma área tão vasta, com culturas, realidades e desafios diferenciados?

A Província Maria, Mãe dos Migrantes é, de fato, muito extensa: Equador, Colômbia, Paraguai, Argentina, Bolívia, Moçambique, África do Sul, Angola e Brasil. Trabalhar articuladamente em uma extensão tão grande é realmente um desafio, mas, creio que nada é impossível quando nos propomos a trabalhar em comunhão, de forma articulada, tanto com as Irmãs como com as Instituições que estão atuando nestes países. Penso que temos que conformar uma equipe que possa pensar estratégias de intervenção, que conheça as realidades dos territórios e que pense diferentes formas de articulação dos trabalhos. É fundamental que as boas práticas sejam replicadas e aplicadas nas diversas missões que temos como província, que partilhemos fortalezas e juntas, superemos debilidades que possamos descobrir em nossa atuação em cada país.

Penso que a comunicação deve ser ampliada para toda a extensão da Província. Precisamos fortalecer a articulação da área formativa com trabalho com os jovens, área da educação, voluntariado e serviços diretos com a população em mobilidade. E para isso penso que a área da comunicação é fundamental e transversal a todo o atuar das Irmãs Scalabrinianas.

Como jornalista, a senhora acabou de falar sobre a importância da Comunicação. Como visualiza o serviço de assessoria de comunicação e como torná-lo mais eficiente e eficaz?

A comunicação é fundamental na missão. Através dos Meios de Comunicação podemos dar visibilidade ao nosso serviço, podemos fazer incidência, mudar os conceitos que as pessoas têm com relação aos migrantes e refugiados.

Estamos vivendo num momento em que as pessoas saem desconsertadamente de seus países por questão de violência, por questões econômicas, por falta de oportunidades e pelo despotismo de governantes. A comunicação é fundamental e necessitamos um plano de intervenção para América do Sul e África que ajude a articular nossos serviços e os processos de incidência nestes países. Através da comunicação, visibilizamos nossos serviços para que as pessoas migrantes e refugiadas possam utilizá-los e os cidadãos, empresas e instituições que desejem, possam apoiá-los com voluntariado ou financeiramente.

Creio que a comunicação é fundamental, por isso precisaremos elaborar uma estratégia em que a área da comunicação apoie a missão e ampliar a visibilidade dos serviços que prestamos que prestamos em cada pais.

Quais são os conteúdos que devem constar na formação da Missionária Scalabriniana, para atuar com eficiência e eficácia em defesa dos migrantes hoje?

Para responder ás necessidades atuais da realidade mundial, das pessoas em situação refúgio e migrantes, os conteúdos que devemos aprofundar e atualizar em todas as etapas de formação da Missionária Scalabriniana, além dos que já estão previstos no plano de formação da Congregação, em princípio devem ser:  Espiritualidade scalabriniana que compreende a vida e obra de Bem-aventurado João Batista Scalabrini, Venerável Padre José Marchetti, Bem-aventurada Madre Assunta Marchetti e das primeiras Irmãs da Congregação; Realidade e teologia das migrações; Migração na Bíblia; Idiomas; Metodologias para incidência; Elaboração, gestão e avaliação de projetos de cooperação nacional e internacional; Captação e gestão de voluntariado; Metodologias diferenciadas para trabalho com setores específicos da mobilidade humana, como por exemplo: com jovens, com adultos maiores, com mulheres, com crianças e adolescentes, com população LGBTI etc.; Trabalho em rede com instituições afins que prestam serviço a migrantes e refugiados.

Qual é a relação entre os verbos: escutar, ver, ouvir, sentir e atuar, e os verbos proposto pelo Papa Francisco, acolher, proteger, promover e integrar?

A relação entre os verbos é total. Nosso carisma tem como base a compaixão. Sentimento que experimentou Jesus ao ver a multidão desamparada conforme Mt 9,36:  “Ao ver as multidões, Jesus sentiu compaixão pelas pessoas, pois estavam aflitas e desamparadas como ovelhas que não têm pastor”. Este mesmo sentimento, Bem-aventurado João Batista Scalabrini, nosso fundador, experimentou ao ver a multidão de migrantes que estava na Estação de Milão para embarcar em direção aos países das Américas.  Em minha experiência pessoal de serviço aos migrantes e em situação de refúgio, para poder compreender, ter empatia e atuar em defesa dessas pessoas é necessário ver, escutar e sentir com elas os desafios, inseguranças e oportunidades que sua realidade comporta. Para que consigamos esta empatia e compaixão, é preciso estar em contato, perto, conviver com a pessoa acolhendo-a em sua realidade, atuando de forma que sinta o amor de Deus através do nosso serviço, atenção, olhar e capacidade de escuta ativa. Mas não se pode parar nessa etapa, a verdadeira acolhida supõe proteger a pessoa de injustiças, fraudes, tráfico, etc. Promovê-la para que alcance sua independência econômica, reconstruir seu plano de vida pessoal e familiar, os tecidos sociais que a protegem emocional e afetivamente, além de promover sua integração no país de acolhida e na comunidade onde decidiu fixar residência. Este processo ajuda a pessoa a reconstruir sua vida e de sua família, potencializando suas capacidades que aportam ao enriquecimento cultural, econômico e social dos que a acolhem e da pessoa acolhida. 

Os verbos acolher, proteger, promover e integrar são concretizados a partir do momento que somos capazes de ver, ouvir, sentir e atuar ante a realidade das pessoas migrantes e em situação de refúgio ou pessoas com necessidade de proteção internacional. 

Que mensagem a senhora gostaria de deixar para os nossos leitores?

Meu desejo é que trabalhemos em comunhão como Irmãs missionarias Scalabrinianas e formandas, mas que também atuemos em comunhão e articulação com os Padres, Irmãos e formandos Scalabrinianos, com as Missionárias Seculares Scalabrinianas e Leigos Missionários Scalabrinianos. Somos parte de um mesmo carisma, temos o mesmo Fundador e estou convencida de que o trabalho realizado conjuntamente, como Família Scalabriniana, beneficiará e será mais eficaz para a acolhida, proteção, promoção e integração das pessoas em situação de migração e refúgio. Que Deus nos dê a graça da sabedoria, da confiança e da entrega total de nossas vidas nas mãos d´Ele para amar e servir as irmãs, e juntas, dar o nosso melhor, no serviço às pessoas em mobilidade.  Conto com a unidade de todos e todas neste momento em que iniciamos a missão de acompanhar e animar a Província Maria Mãe dos Migrantes.

 

História da vida de Irmã Lélis

Irmã Maria Lélis da Silva nasceu em Bonfinópolis de Minas (MG), em 10 de dezembro de 1964. É filha de Antônio Lopes da Silva e Maria Cândida da Silva. Ingressou no aspirantado em 1887, em 1987 fez a profissão temporária.

Graduada em jornalismo e   Letras, com especialização em Literatura brasileira e língua portuguesa, sua primeira missão se deu junto aos migrantes no período da construção da barragem de Salto Segredo, Paraná. Atuou também no Colégio Santa Teresa, em Ituiutaba (MG); Animação Vocacional; Formação como Superiora do Noviciado; Conselheira Provincial por seis anos; formadora de aspirantes e postulantes na Colômbia. Desde 2015 vinha atuando como Diretora da Missão Scalabriniana no Equador.

Fonte: Imprensa Scalabriniana

 





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