Imigrantes: morte contínua no mediterrâneo



POR CARLOS SANTOS NEVES
RTP


Em 2017, o número de pessoas dadas como “mortas ou desaparecidas” nas águas do Mediterrâneo ascendeu a 3139. Outros 172 301 migrantes conseguiram sobreviver à travessia. O pico deu-se em 2015, quando chegaram ao Velho Continente mais de um milhão de pessoas.

 

Em 2018, se forem tidos em conta os quase sete mil migrantes registados nos enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla, em África, o número de pessoas chegadas à Europa foi de 120 205.

 

É mesmo a território espanhol que chega o maior número dos migrantes que demandam a Europa por mar - em 2018 foram 55 756, contra os 22 103 de 2017. Já a Itália teve registo de 23 371 chegadas, muito aquém das 119 362 de 2017. A Grécia recebeu 32 497 pessoas.

 

O primeiro país de origem foi a Guiné, com 13 068 migrantes, seguindo-se Marrocos, com 12 754, e o Mali, com 10 347. O quarto país foi a Síria, seguida do Afeganistão e do Iraque.




 

Os números estão publicados no portal do ACNUR - Alto Comissariado da ONU para os Refugiados.

 

“Rápida solução”

 

Na passada segunda-feira, último dia de 2018, o ACNUR apelou aos Estados envolvidos na crise migratória para que abrissem os portos ao desembarque de dois navios de organizações não-governamentais alemãs com um total de 49 migrantes resgatados ao Mediterrâneo a bordo: 32 no Sea Watch 3 e outras 17 no Sea Eye

 

O encerramento de portos italianos a navios humanitários abriu no ano passado uma crise diplomática europeia. Foram várias as embarcações sem porto de abrigo no Mediterrâneo. Situações que foram sendo desbloqueadas por acordos pontuais.

 

Na tomada de posição de 31 de dezembro, o Alto Comissariado para os Refugiados instou também a uma abordagem ampla e estrutrada.

 

“Mais de 2240 pessoas morreram ou desapareceram no mar ao tentar chegar à Europa pelo Mediterrâneo em 2018, apesar de uma redução significativa do número de chegadas. O ACNUR saúda o trabalho de navios de busca e salvamento de ONG”, lê-se no site do Alto Comissariado, que considera mesmo “crítico” o “papel” destas organizações.

 

“Em 2019, é crítica a necessidade de acabar com a atual abordagem barco-a-barco e de que os Estados implementem um entendimento regional que garanta aos comandantes dos navios clareza e previsibilidade sobre onde desembarcar os refugiados e migrantes socorridos no Mediterrâneo”, vinca-se no mesmo texto.





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