Em Londrina, Natal é traduzido em gestos de acolhida e integração de imigrantes



POR ROSINHA MARTINS

DE LONDRINA -PR

24.12.2017

Eles se somavam mais ou menos 150 reunidos na sede de uma escola municipal na cidade de Santo Amaro, na grande Londrina. Natal celebrado aos moldes tradicionais como costumam os brasileiros: Oração, cantos, Papai Noel, presentes.

Mas para a Igreja de Londrina, representada pelo trabalho da Pastoral dos Migrantes coordenada pelas Irmã Scalabrinianas e o serviço da Cáritas Arquidiocesana e de outros grupos afins, o Natal vai mais além. Começa com a acolhida a esses recém-chegados e continua na luta pela integração e inserção no mercado de trabalho.

Patrícia Pigaiani,  secretária da Cáritas arquidiocesana, relata que o fluxo de imigrantes haitianos se intensificou há mais ou menos três anos por causa do mercado de trabalho na construção civil. Eles continuam chegando e o desemprego cresce. “O nosso trabalho é, também, conscientizar a sociedade que eles veem em busca de melhores condições de vida”, explica.

Os desafios são grandes em relação à saúde e esta é mais uma demanda que a Igreja de Londrina precisa enfrentar. “Uma cartilha foi criada para facilitar a relação médico/paciente haitiano devido às dificuldades com idiomas.  A cartilha é escrita em creole e português e trata especificamente de sintomas. O resultado tem sido satisfatório embora seja ainda um projeto pequeno”.

Ainda de acordo com Pigaiani, a sociedade precisa ser mais acolhedora. “Não é verdade que somos tão acolhedores assim. Falta muito. As empresas, por exemplo precisam compreender que se eles não conhecem as leis, serão sempre assessorados por alguém que delas entenda”, acrescenta.

A dificuldade de locação de casas para imigrantes também é outro desafio enfrentado. “Eles fazem locação por meio da corretora, tem as chaves em mãos, quando chegam no local, o locador tenta desfazer o contrato. A nossa sociedade ainda tem muito que aprender”, enfatiza.

Formado em teologia, língua portuguesa e geografia, Maurício Medina se dedica a ensinar a língua portuguesa. “Os haitianos gostam de estudar, porém, de maneira prática e técnica. Entendem tudo de matemática, geometria. Mais que para adquirir cultura, sua primeira preocupação é aprender a língua local para trabalhar”, conta o professor.

Com maioria da população de migrantes de Minas Gerais, intercalando com descendentes paulistanos e imigrantes europeus, Londrina ainda é, para os haitianos, uma cidade que causa estranhamentos. Ao perceberem o sotaque estrangeiro, os londrinenses tendem a uma dificuldade de acolhida, o que deixam os imigrantes bastante inseguros. “Eles dizem que nunca se perceberam tão estranhos”, diz o professor.

 

A opção de trabalhar com os haitianos se deve às experiências de migração feitas dentro do próprio país. “Estudei para ser professor de português, por isso creio que posso ajudá-los, de maneira natural, simples, sem a preocupação de receber algo”.

 

A Pastoral dos Migrantes, a Cáritas de Londrina e todos aqueles de boa vontade, em comunhão com toda a Igreja, busca ser, para os imigrantes, esta manjedoura que acolhe, que deixa acontecer e provoca o nascimento da vida.

 

Em mensagem para o dia do Natal, o cardeal de São Paulo Odilo Scherer mencionou que Migrante forçado para salvar a vida, e em precárias condições, Jesus também teve que enfrentar mais uma longa viagem, atravessar o deserto e a fronteira, viver como exilado, achar um abrigo e um trabalho para sustentar a família.

 

A mais santa das famílias viveu o drama de milhões de migrantes e refugiados dos nossos dias. Neste Natal, fico pensando em tantas pessoas e famílias que vivem hoje em condições semelhantes.

 

Também o Papa Francisco, na missa do Galo, enfatizou que a fé exige compromisso e respeito para com os imigrantes. "Tantos passos estão escondidos nos passos de José e Maria. Vemos o percurso de famílias inteiras forçadas a fugir nos nossos dias. Vemos o percurso de milhões de pessoas que não escolhem fugir, mas são expulsas de sua terra e deixam para trás seus entes queridos", disse Francisco. E acrescentou. "Esta é a alegria que nós somos chamados hoje a compartilhar, a celebrar e proclamar. A alegria com a qual Deus, em sua infinita misericórdia, abraçou nós, pagãos, pecadores e estrangeiros, e nos pede que façamos o mesmo".

 

 





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