Conheça 7 restaurantes comandados por refugiados em São Paulo

POR BRUNO DIAS

DE SÃO PAULO – SP

 

 

"A comida não vai resolver os problemas da guerra, mas é uma coisa que posso fazer no Brasil pelo meu país", explica Mohammed Othman, de 30 anos, do restaurante Majâz, na Vila Buarque. Ele nasceu e foi criado em Sbeinah, um campo de refugiados palestino nas proximidades de Damasco, na Síria. Após buscar refúgio no Líbano, desembarcou no Brasil no fim de 2014 e encontrou na comida típica de sua terra natal a saída para sobreviver e prosperar em nosso país, como muitos refugiados que chegam por aqui.

 

Segundo a ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), ate? 2018, 11.231 pessoas foram reconhecidas como refugiadas pelo Estado Brasileiro. Nesse contexto, São Paulo é o terceiro estado da federação em número de solicitações: foram 9.977, perdendo para Roraima (50.770) e Amazonas (10.500), respectivamente.

 

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A variedade de estabelecimentos comandados por refugiados na capital paulista é vasta, e a maioria é de restaurantes de comida árabe. Isso faz sentido, já que, de acordo com a ACNUR, do total de refugiados no Brasil, 36% são representados por sírios, seguidos de congoleses (15%) e angolanos (9%).

 

Assim como Mohammed, o sírio Abdulrahman Alsaied, 36, natural de Rakka, e o libanês Ahmed Merhi, 51, também fugiram da guerra no Oriente Médio. Ambos escolheram o Centro de São Paulo para abrirem seus estabelecimentos: o Shawarma & Comida Árabe e o Restaurante Syria, respectivamente. "São Paulo tem mais movimento, mais trabalho", conta Asaied, que veio sozinho ao Brasil em 2013 e hoje emprega nove pessoas, entre elas outros refugiados sírios e africanos (vindos da Somália).

 

"Vim pro Brasil porque foi o país que mais fácil deu abrigo pra mim. É um país muito bom, porque respeita estrangeiro, nos ajudam, muito melhor do que na Europa", revela Merhi, que está aqui desde 2006. Ele veio sozinho, deixando a mulher e os três filhos no Líbano, e já foi dono do Vovô Ali, também na região central da cidade.

 

Além de manter viva a cultura árabe como um todo, principalmente da Palestina, Mohammed também luta para valorizar o trabalho dos refugiados no país. "Você entra aqui [no Majâz] e come como em qualquer restaurante. Fazemos comidas caseiras todos os dias, que merecem ser pagas e por preço justo", afirma. Conheça este e outros estabelecimentos em São Paulo comandados por refugiados:

 

Majâz


Alberto Rocha/Folhapres. Imagem: Alberto Rocha/Folhapress

Os irmãos Mohammed e Raame Othman comandam o Majâz, que desde 2018 ocupa um sobrado na Vila Buarque. As paredes são decoradas com nomes de campos de refugiados palestinos, e o cardápio traz pratos que valorizam a cultura árabe. Oito árabes (palestinos e sírios) comandam a cozinha do local, com produtos frescos e pastas produzidas diariamente, no estilo bem caseiro, como o trio de homus (R$ 25), de beterraba, manjericão e grão-de-bico, acompanhado por pão sírio. O falafel é um dos destaques, servido em porção (R$ 20, com oito unidades) ou sanduíche (R$ 17), com pão sírio, tomate, tahine, molho de romã e hortelã. Além de drinques tradicionais, a casa tem bebidas com assinatura própria, como o Majâz (R$ 24), à base de arak (bebida tradicional árabe-palestina), cachaça e zaatar verde.

 

Vá lá:

Rua Fortunato, 88, Vila Buarque, São Paulo.

Terça a quinta, das 18h às 0h.

Sexta, das 18h às 2h.

Sábado, das 12h30 às 2h.

Domingo, das 12h30 às 18h.

Telefone: (11) 3334-0118

Mais informações pelo Instagram do Majâz.

 

Congolinária - Descobrindo os Sabores do Congo

 

Pitchou Luhata Luambo chegou ao Brasil no começo de 2010. Professor de francês, advogado e militante de direitos humanos, ele veio da República do Congo, fugindo dos conflitos armados. E apostou na culinária de seu país, criou o restaurante vegano Congolinária - Descobrindo os Sabores do Congo. Após um período itinerante, desde 2017, divide espaço com a Fatiado Discos e Cervejas Artesanais, que às terças-feiras promove o Jantar dos Refugiados, em parceria com a Ocupação Leila Khaled. Entre os pratos principais estão: KUKU (R$ 30), acarajé na cama de quiabo na mwamba (pasta de amendoim), acompanhado por arroz branco cozido no suco de gengibre e chips de batata-doce; mix de Sambusas (R$ 25), pasteizinhos típicos africanos, recheados com sabores variados de vegetais, acompanhados por chatini assado; e o Tangawisi (R$ 8), suco de abacaxi, gengibre e limão, que também tem uma versão em drinque (R$ 20), com cachaça artesanal ou vodka.

 

Vá lá:

Avenida Prof. Alfonso Bovero, 382, Sumaré, São Paulo.

Terça a sábado, das 12h às 15h e das 19h às 22h.

Domingo, das 12h às 15h.

Telefone: (11) 2615-8184.

Mais informações pelo Instagram do Congolinária.

 

Restaurante Syria


Thiago de Jesus/Folhapress. Imagem: Thiago de Jesus/Folhapress

O libanês Ahmed Merhi é velho conhecido de quem frequenta o Centro. Ele era proprietário do Vovô Ali, que funcionou na região da Avenida Rio Branco e depois na Rua Barão de Limeira. Após um período de volta ao Líbano, Merhi abriu em 2018 o Restaurante Syria, pertinho do Largo do Arouche. A proposta é a mesma de seu antigo estabelecimento: comida farta e barata, feita com ingredientes trazidos do Líbano, como o docinho de pistache (R$ 5), com calda de água de flor de laranjeira e rosas. O Shawarma (R$ 15) é um dos pratos mais pedidos da casa, nas versões com carne bovina, kafta, frango, falafel ou misto (carne bovina e frango), assim como as esfihas — fechada (R$ 5) e aberta (a partir de R$ 5) —, que são feitas na hora. No final da tarde, depois da correria do almoço, é possível tomar um cafezinho com cardamomo e bater papo com Ahmed.

 

Vá lá:

Avenida São João, 1248, Santa Cecília, São Paulo.

Segunda a quarta, das 12h às 21h.

Quinta a sábado, das 12h às 22h.

Telefone: (11) 3222-2401.

Mais informações pela página do Restaurante Syria no Facebook.

 

BAB - Espaço Cultural

 

 

Cineasta de formação, Salim Mhanna teve que abandonar a carreira na área de comunicação visual para fugir de guerras na Palestina (sua terra natal) e na Síria. E chegou no Brasil em 2015, com a esposa e o filho pequeno. Após conhecer o pessoal do grupo de teatro Os Satyros e produzir alguns vídeos pra eles, Mhanna foi convidado pela trupe para cuidar do antigo bar Bambolina, que em 2018 passou a se chamar BAB ("portas abertas", em árabe). É um misto de bar e espaço cultural, com shows de artistas independentes e eventos ligados aos refugiados. Além de drinques e cerveja gelada, o menu do BAB tem petiscos árabes como Falafel (R$ 32), pastas tradicionais de homus e babaghanoush (R$ 22, com pão árabe) e shawarmas (R$ 28, de carne, R$ 27, de frango), acompanhados por batata frita e molho tahine.

 

Vá lá:

Praça Franklin Roosevelt, 124, Centro, São Paulo.

Segunda a domingo, das 10h às 1h.

Telefone: (19) 7952-0624.

Mais informações pela página do BAB no Facebook.

 

 

Tala Shawarma Árabe


Bruno Dias/UOL. Imagem: Bruno Dias/UOL

O sírio Amin abriu o pequeno Tala Shawarma Árabe há pouco mais de 7 meses. A proposta do local é servir comida rápida e barata, atraindo principalmente jovens estudantes da Universidade Mackenzie, a poucos metros dali. No Tala eles encontram uma grande variedade de esfihas a partir de R$ 5, que vão dos tradicionais carne e queijo, até coalhada seca e chocolate. Pratos como Tawook e Falafel saem por R$ 25, enquanto os shawarmas (carne, frango, kafta) custam R$ 18. Os docinhos árabes — pistache e nozes —, saem por R$ 10.

 

Vá lá:

Rua Dr. Cesário Mota Júnior, 562, Vila Buarque, São Paulo.

Segunda a sábado, das 12h às 0h.

 

Al Janiah


O Al Janiah existe desde 2016 e se tornou muito mais do que um restaurante de culinária árabe. Gerido por Hasan Zarif, brasileiro filho de palestinos, funciona como um centro cultural — com shows, debates, exposições, cursos e exibições de filmes — e recebe refugiados sírios, palestinos e africanos. No cardápio há porções como a Da Janiah (R$ 20), homus com carne de shawarma e castanha de caju (sem glúten), e pastas como laban (R$ 8), coalhada seca sem glúten, ambas servidas com cesta de pão árabe e azeite. Uma das especialidades da casa é o fatha (a partir de R$ 15), pão frito com recheios como grão-de-bico e berinjela, acrescido de tahine, manteiga derretida e castanha de caju. Entre os drinques, o Palestina Libre (R$ 22) é uma ótima pedida, à base de arak, cachaça, limão, pimenta biquinho e zaatar verde.

 

Vai lá:

Rua Rui Barbosa, 269, Bixiga, São Paulo.

Terça a quinta, das 18h às 0h30.

Sexta e sábado, das 18h30 às 2h.

Domingo, das 18h30 às 0h.

Telefone: (11) 98392-9246.

Mais informações pelo site do Al Janiah.

 

Aboud - Shawarma & Comida Árabe

Abdulrahman Alsaied, ou apenas Aboud, tem um dos pontos de shawarma mais concorridos do Centro histórico, mais precisamente no Largo do Paissandú, quase em frente à Galeria Olido. Ele começou em meados de 2017, com uma portinha, e hoje já cresceu para um pequeno salão, lotado na hora do almoço. E não é pra menos: os Shawarmas são fartos e baratos, R$ 16, encontrados nas versões carne (pão sírio, carne, molho de gergelim, batata frita, cebola, salsinha, tomate e alface); frango (pão sírio, frango, pasta de alho, batata frita, cebola, salsinha, tomate e alface); falafel vegano (pão sírio, grão de bico moído e temperado, tomate, alface, picles, hortelã, salsinha e molho de gergelim); e misto (pão sírio, carne, frango, molho de gergelim, pasta de alho, batata frita, cebola, salsinha, tomate e alface). O falafel também é servido em porção (R$ 25), com batata frita, picles, salsinha, hortelã, pasta de alho e molho tahine.

 

Vá lá:

Largo do Paissandú, 55, República, São Paulo.

Segunda a sábado, das 9h às 20h.

Telefone: (11) 95842-1962

Mais informações pelo Instagram do Aboud.





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